Principais insights

  • 86% das empresas registraram perda na cadeia de abastecimento no ano passado, sendo construção o setor mais atingido.
  • O aumento dos custos de materiais, mudanças na dinâmica geopolítica e disputas tarifárias e comerciais são citados como os três principais desafios.
  • Quase quatro em cada cinco empresas se preocupam com as interrupções na cadeia de abastecimento, mas a maior parte das perdas no ano passado não era segurada ou tinha seguro insuficiente, expondo uma ampla lacuna de proteção.
  • Em meio às incertezas comerciais e tarifárias, nove em cada dez empresas afirmam estar estocando mercadorias ou considerando isso como opção, apesar dos riscos inerentes ao armazenamento mais mercadorias em um único lugar.
  • Do sourcing mais inteligente à visibilidade impulsionada pela tecnologia, os resultados da pesquisa global da Gallagher trazem insights para fortalecer a resiliência e manter a competitividade em meio à incerteza.

No mundo interconectado de hoje, as cadeias de suprimentos se tornaram a linha de frente do risco empresarial em diversos setores.

A Gallagher realizou a pesquisa Redesenhando as Cadeias Globais de Suprimentos, que mostra como o impacto das disrupções na cadeia de suprimentos se tornou generalizado: no último ano, 86% das empresas relataram ter sofrido algum tipo de perda relacionada à cadeia de suprimentos — como prejuízos financeiros, danos à reputação, prazos perdidos ou interrupções operacionais —, com os impactos mais significativos nos setores de energia e construção.

Os riscos geopolíticos, atritos tarifários e comerciais, e crescentes custos de materiais estão redefinindo o cenário da cadeia de abastecimento em tempo real. Mas a proteção permanece desigual, apesar de uma alta conscientização sobre os riscos: Apenas uma em cada três empresas foi totalmente coberta pelas perdas sofridas na cadeia de abastecimento nos últimos 12 meses.

"As organizações estão agora mais conscientes de sua exposição a fornecedores localizados em regiões marcadas por incertezas geopolíticas", observa Michael Burg, vice-presidente executivo e diretor-gerente da área de fabricação na Gallagher. "Essa conscientização é crucial, pois permite que as empresas identifiquem riscos, embora possa haver opções limitadas para abordá-los."

Quando se trata de gestão proativa de riscos da cadeia de abastecimento, uma parcela considerável das empresas (22%) permanece reativa em sua abordagem para responder após a ocorrência de uma interrupção.

As empresas afirmam precisar de mais dados e consultoria de riscos para ter mais visibilidade das interdependências e vulnerabilidades em suas cadeias de abastecimento e desenvolver maior resiliência.

61% relataram ter acelerado as decisões, inclusive o armazenamento de bens e componentes antes da imposição de tarifas, enquanto 23% relataram adiar mudanças substanciais na estratégia de cadeia de abastecimento devido às crescentes incertezas.

Inflação, tarifas e geopolítica são os principais fatores de interrupção na cadeia de abastecimento

Os três principais riscos que geram interrupções atualmente são o aumento dos custos de materiais, instabilidade geopolítica, tarifas e disputas comerciais. Essas pressões estão espalhadas por todos os setores, e mais de 70% dos líderes expressam preocupação com o aumento das interrupções devido a esses fatores.

De acordo com a avaliação dos líderes, esses riscos também são os gerenciados de modo menos eficaz, e as empresas indicam ter menos controle sobre ameaças geopolíticas e externas. Por exemplo, apenas uma em cada quatro empresas classifica suas estratégias de mitigação de riscos como muito eficazes contra ameaças geopolíticas, em comparação com uma eficácia de 40% para gerenciar riscos de roubo de cargas.

A dinâmica geopolítica está em plena transformação, e novas alianças comerciais e parcerias comerciais regionais estão reformulando as cadeias de abastecimento. Em resposta, as empresas estão transferindo suas operações para o território nacional (onshoring) ou para países mais próximos (nearshoring), e reconfigurando rotas comerciais para lidar com conflitos emergentes e mudanças nas alianças.

Menos opções, riscos maiores: por que a consolidação de fornecedores é um dos grandes riscos do futuro

Quando há menos fornecedores de insumos essenciais, a escolha do comprador diminui e sua dependência aumenta. Essa dependência de poucos fornecedores leva muitas vezes a uma maior concorrência entre os compradores por recursos limitados, ao passo que a concorrência entre os fornecedores normalmente diminui. Isso aumenta a exposição a pontos de estrangulamento, mudanças no poder de precificação, prazos de entrega mais longos e menor poder de negociação, especialmente durante choques econômicos. Um exemplo é o domínio dos produtores de semicondutores em Taiwan.
A mitigação inclui duplo fornecimento, alternativas regionais e reservas pré-qualificadas com protocolos de comutação testados.

É esperado que as pressões inflacionárias — particularmente os custos de materiais em alta nos setores de fabricação e construção — diminuam à medida que as taxas de juros sigam se estabilizando. Essa tendência é apoiada por ações de bancos centrais e previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Mas de acordo com os entrevistados, as incertezas relativas a tarifas e ameaças geopolíticas devem persistir no curto prazo, mantendo as cadeias de abastecimento sob pressão.

Olhando para o futuro, os profissionais da cadeia de abastecimento preveem que ameaças cibernéticas, consolidação de fornecedores, infraestrutura envelhecida, interrupções na força de trabalho e desafios de capital humano dominarão o cenário de ameaças futuras.

Para seis em cada dez empresas, os riscos relacionados a pessoas definem sua estratégia de cadeia de abastecimento. Interrupções como a pandemia e as greves dos portos da costa leste dos Estados Unidos e Canadá em 2024 ressaltam como os desafios da força de trabalho podem apresentar gargalos e se disseminar pelas cadeias de abastecimento globais.

Custos com mão de obra, acesso a habilidades e disponibilidade de trabalhadores são os principais fatores de decisão relacionados a pessoas e vulnerabilidades. Os entrevistados dos setores agrícola (40%) e de transporte (31%) relatam os custos com mão de obra como principais fatores de investimento, ao passo que os setores de energia tradicional e energia renovável (42%) priorizam o acesso a talentos qualificados.

Essas realidades estão direcionando os investimentos para a Índia (+5%), o Sudeste Asiático (+4%) e a África (+4%) nos próximos cinco anos. De acordo com os entrevistados da pesquisa, o Sudeste Asiático e países como Indonésia e Vietnã devem continuar sendo grandes beneficiários das estratégias "China mais um" em 2026, apesar da complicação adicional das tarifas.

Uma visão mais detalhada dos três fatores de interrupções na cadeia de abastecimento

Estratégias de mitigação para desenvolver resiliência da cadeia de abastecimento

As empresas continuam mudando suas estratégias de resiliência da cadeia de abastecimento do "just-in-time" para o "just-in-case", e as estratégias mais adotadas para o desenvolvimento da resiliência da cadeia de abastecimento estão surgindo. De acordo com a pesquisa, as ações mais eficazes se concentram em:

  • Práticas de armazenamento e estoque mais inteligentes
  • Monitoramento habilitado por tecnologia em tempo real para aviso antecipado
  • Supervisão mais rigorosa dos fornecedores de nível inferior
  • Diversificação de fontes e rotas

Juntas, essas medidas de gestão de riscos da cadeia de abastecimento aumentam a visibilidade, reduzem os tempos de resposta e ajudam a manter os níveis de serviço intactos quando a pressão aumenta.

No entanto, nem todo risco pode ser controlado diretamente. Como foi observado, embora as empresas identifiquem tarifas e disputas comerciais, mudanças geopolíticas e o aumento dos custos com materiais como os fatores mais preocupantes de interrupção, elas também relatam que suas estratégias de mitigação nessas áreas estão entre as menos eficazes.

A diversificação pode construir resiliência em um mundo mais fragmentado

A diversificação de parceiros comerciais surgiu como uma estratégia fundamental para gerenciar os riscos da cadeia de abastecimento. Em muitos casos, as cadeias de abastecimento estão se tornando mais compactas à medida que as empresas investem em onshoring, nearshoring e friendshoring em um esforço para construir resiliência e maximizar os benefícios dos acordos comerciais regionais.

Essas abordagens refletem uma resposta mais ampla a um mundo em que o comércio global não é mais regido por um conjunto único de regras. O sistema de comércio global tradicional está mudando rapidamente, e os blocos comerciais estão sendo revividos, redefinindo como as mercadorias fluem pelo mundo.

As cadeias de abastecimento estratégicas estão se tornando cada vez mais críticas à medida que os países buscam controlar recursos essenciais como tecnologia, energia e minerais de terras raras, tanto para segurança quanto para a obtenção de vantagem econômica.

"Diversificar é importante, especialmente quando se trata de fornecedores", explica Jackie Robinson, diretora administrativa de operações da área de construção da Gallagher. "As empresas devem examinar minuciosamente suas cadeias de abastecimento e buscar diversificar suas fontes."

Reformular as cadeias de abastecimento dessa forma exige dados e insights em tempo real sobre mercados, acordos comerciais, considerações éticas, de conformidade e estratégias flexíveis enquanto as empresas seguem se adaptando a um mundo mais fragmentado.

Metade das empresas está utilizando plataformas de monitoramento da cadeia de abastecimento em tempo real, mas uma quantidade menor incorpora dados externos, já que apenas 43% delas afirmam analisar condições de mercado mais amplas ou tendências geopolíticas.

O maior armazenamento é uma estratégia com concentrações de risco não intencionais

Em um cenário de incerteza comercial, aumentar o armazenamento é uma estratégia à qual nove em cada dez entrevistados estão recorrendo. Embora ajudem a amortecer o impacto dos gargalos de fornecimento e de novas tarifas, essas disposições "just-in-case" também ampliam a concentração de riscos. Estocar mais mercadorias em armazéns em portos e parques industriais eleva a exposição a catástrofes naturais e os riscos de roubo de carga.

Como explica Alec Russell, diretor administrativo da área de carga marítima da Gallagher: "É possível reduzir os riscos em um lugar e adicionar riscos em outro. Todos aumentam seus estoques com a introdução de tarifas. Depois, ocorre uma tempestade de vento, e a perda é maior do que normalmente seria. Estamos tendo um acúmulo maior de valores em locais únicos."

Da mesma forma, volumes mais elevados de componentes e matérias-primas em trânsito ou parados em um só lugar aumentam os riscos de roubo, e um quarto das empresas relata estar ciente, mas não preparado para esse cenário.

Do ponto de vista ambiental, rotas comerciais mais longas e o aumento das emissões adicionam desafios de custo e sustentabilidade, citados por 29% dos entrevistados como uma preocupação. A obsolescência é outra consideração, com o risco de que as mercadorias estocadas possam ficar desatualizadas antes de entrar no mercado, especialmente em setores de rápida movimentação.

Ferramentas para mapear a cadeia de abastecimento devem melhorar a segurabilidade

Apenas um em cada três entrevistados relata que sua perda mais recente foi totalmente coberta, e a lacuna de proteção continua sendo um problema fundamental para as empresas que buscam reduzir os riscos. 36% afirmam que a cobertura para riscos específicos da cadeia de abastecimento é muito limitada, com capacidade limitada, apólices complexas e altos prêmios servindo como barreiras adicionais.

A capacidade das empresas de mapear suas redes de fornecedores se torna mais desafiadora à medida que sobem na cadeia. Seis em cada dez empresas relatam supervisão limitada ou nenhuma supervisão além do primeiro nível. Esses pontos cegos ocultam vulnerabilidades e aumentam a chance de interrupções dispendiosas.

Como resultado, é forte a demanda por soluções de dados, análises e de riscos e seguros. As empresas relatam que querem visibilidade mais clara e sinais mais rápidos quando as condições mudam.

Os entrevistados também pediram produtos de seguro flexíveis, avaliações de risco personalizadas e orientação clara sobre conformidade regulatória, comercial e de sanções em todas as jurisdições.

Obter maior transparência nas interconexões da cadeia de abastecimento deve ajudar o crescimento do mercado de seguros ao possibilitar que os subscritores avaliem e precifiquem mais facilmente os riscos.

Da exposição à ação: desenvolvimento da resiliência adaptativa da cadeia de abastecimento

Seis anos depois do início da pandemia e 15 anos desde as interrupções globais causadas pelo terremoto de Tohoku em 2011 e pelas inundações na Tailândia, ficou claro que as cadeias de abastecimento continuam sendo um desafio global. Cerca de 90% das empresas relataram perdas no ano passado devido a choques que variaram de interrupções comerciais e gargalos de fornecimento a escassez de mão de obra e clima extremo; mais da metade foi considerada como sendo sinistros moderados ou importantes.

Os tomadores de decisão da cadeia de abastecimento afirmam desejar mais dados, análises preditivas e insights práticos para identificar e mitigar vulnerabilidades, e prever melhor os riscos antes que eles se espalhem.

Em termos de transferência de riscos, as empresas estão pedindo avaliações personalizadas, produtos flexíveis e orientação condizentes com seus setores e estruturas exclusivas da cadeia de abastecimento. Essa solicitação é uma oportunidade para fechar lacunas de proteção e ajudar as empresas a tomar decisões fundamentadas e confiantes.

O mercado de seguros é o lugar para encontrar soluções financeiras e de gestão de riscos que ofereçam contingências e suporte à recuperação quando a volatilidade ocorre.

Sobre a pesquisa

A pesquisa "Redrawing Global Supply Chains" (Reformulação das cadeias de abastecimento globais) capta as percepções de 1.200 líderes empresariais nos setores de construção, energia, alimentos e agricultura, fabricação, varejo, atacado e transporte. Ela mapeia as fontes comuns de gargalos na cadeia de abastecimento, as áreas onde as empresas estão investindo e como as estratégias de resiliência estão evoluindo.
Para tomadores de decisão, as descobertas esclarecem as estratégias de resiliência mais adotadas e identificam oportunidades para promover mudanças significativas em um mundo cada vez mais incerto.
A pesquisa foi realizada em novembro de 2025 e inclui respostas de tomadores de decisão da cadeia de suprimentos do Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Austrália e Irlanda.

Publicado em fevereiro de 2026